Agenda · 2014

O FILHO DE MIL HOMENS

20 de Março a 30 de Março

Com base no romance homónimo de Valter Hugo Mãe

Adaptação e encenação Ana Luena

Criação Teatro Bruto

Coprodução Teatro Bruto , TNSJ

Cenografia e figurinos Ana Luena ; Música original, interpretação ao vivo e direção musical Peixe ; Desenho de luz Rui Monteiro ; Apoio vocal João Castro ; Produção executiva Mariana Nina ; Assistência de produção Luís Puto ; Assistência de encenação Adriana Vaz de Carvalho ; Interpretação Joana Carvalho , Luís Puto , Margarida Gonçalves , Paulo Mota , Pedro Mendonça , Rodrigo Santos com a participação de Cristina Pereira , Manuela Leitão , Maria Alice de Pinho , Maria José Paraty , Marta Rosas , Rita Valério (formandos dos laboratórios de criação e interpretação), Anthony Figueira , Diogo Freitas , Filipa Baptista , Luísa Santos , Pedro Daniel Silva , Soraia Silva (alunos de Artes do Espetáculo/Interpretação do Externato Delfim Ferreira); Fotografia de cena João Tuna ; Vídeo e fotografia promocional Paulo Cunha Martins ; coprodução Teatro Bruto , TNSJ

dur. aprox. 1:40

M/12 anos


O filho de mil homens

Talvez o tempo, por si só, explique a cada um de nós o que é necessário para a felicidade. Talvez a felicidade seja sempre outra coisa que em cada idade se revela para que nos esforcemos de novo, continuamente. Há um amor guardado para cada fim. No limite, já não podemos adiá-lo. Temos de amar sem olhar a quem até que, olhando, o perfeito desconhecido nos seja familiar. Até que se invente uma família, tão pura e fundamental quanto outra qualquer. A felicidade, afinal, é possível, embora se esconda atrás de um mundo de tristezas. Mas nenhuma tristeza nos deve vencer. O destino de cada um é só este: acreditar, mesmo quando ninguém mais acredite.

Valter Hugo Mãe

Os felizes

Assumo esta adaptação como uma visão pessoal da obra O filho de mil homens, criada para o coletivo de intérpretes deste espetáculo, distanciando-se intencionalmente da ideia de uma leitura transcrita para a cena teatral do romance de Valter Hugo Mãe. E é por isso que o processo de adaptação do texto se estendeu até aos ensaios, misturando-se voluntariamente com o processo de encenação e com a direção de atores. Quando decidi encenar e adaptar O filho de mil homens sonhei que o espetáculo deveria, muito mais do que ser um manifesto de esperança, ser ele próprio absurdamente esperança. Que seríamos todos filhos de mil homens, porque já o somos, à imagem de uma árvore genealógica, inequivocamente ligados à natureza, “E a natureza nunca seria burra. A natureza, estava claro, entendia e fazia tudo. Sabia tudo.” O Crisóstomo, o homem que chegou aos quarenta anos e que mudou o mundo, poderá ser a imagem que desejamos do homem moderno, todo ele livre, aceitando ser o que é, perseguindo o que lhe pertence, acreditando que a felicidade se constrói, “O Crisóstomo, fantasiando como sabia, sabia tudo.” Encarando o teatro como um processo transformador, a criação como um ato de liberdade, as relações como laços familiares, faço uma analogia entre o processo teatral e a “história” que li em O filho de mil homens. A adaptação e a encenação partem desta relação que estabeleci, e não é, por isso, estranho que tenha convidado para participarem neste espetáculo um grupo de formandos, com quem tenho trabalhado em laboratórios promovidos pelo Bruto, e um grupo de alunos com quem já trabalhei em contexto académico. É a partir da individualidade de cada, e da partilha que as relações promovem, que se forma este coletivo, combinando em cena intérpretes amadores, estudantes, atores e um músico. O reconhecimento de personagens trágicas, como o Antonino, a Maria, a Isaura e a Matilde, foi a inspiração para a existência de um coro de vozes, de corpos, de pessoas. O coro que é simultaneamente personagem e personagens, conflito, espaço e emoção. As personagens que os intérpretes constroem insistem em romper as fronteiras e entrar no território dos seus narradores, e o espetáculo surge ele próprio como uma surpresa. Construído como um puzzle, em que as peças se vão encaixando até ao todo. Diferente do alinhamento do romance, mas aproximando-se conceptualmente da estrutura do romance, que se divide em capítulos e em diferentes narrativas que se cruzam.

Os felizes… porque, vistos assim, poderíamos ser nós!

Ana Luena

Teatro Bruto

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